
Visco da Meia-Noite
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A Solução
KATHERINE
O Natal é daqui a duas semanas e, pela primeira vez na vida, vou levar alguém para conhecer a minha família. Neste ano, vou levar meu namorado, Seamus.
Os lembretes constantes da minha mãe sobre casar estão começando a encher a paciência. Não é como se eu nunca tivesse tido um relacionamento sério antes. É que, toda vez que eu penso em levar um namorado para casa, sinto uma pontada de nervosismo, tudo por causa de um cara.
O maldito do Derek Sawyer.
O pai dele é o melhor amigo do meu pai, e nós basicamente crescemos juntos. E, depois de uma decisão idiota de bebedeira duas noites atrás, o nome dele agora está tatuado para sempre na bochecha direita da minha bunda. Ainda dói pra caramba e coça demais.
Eu enrolo uma mecha de cabelo nervosamente enquanto espero pelo meu namorado. Ninguém sabe da tatuagem, nem mesmo o Seamus. Não tenho ideia de como vou explicar isso para ele.
Falando no Seamus, onde ele está?
Ele está quinze minutos atrasado, e os funcionários do restaurante estão olhando para mim com pena. Eu bato os dedos impacientemente na mesa, me perguntando se ele me deu um bolo. Espero muito que não, porque sair daqui sozinha seria mortificante.
“Desculpe o atraso, Katherine.” A voz de Seamus interrompe a minha linha de raciocínio enquanto ele se aproxima para beijar a minha bochecha. Ele e a minha mãe são os únicos que me chamam de Katherine. Todo mundo me chama de Kate, exceto o Derek, que faz questão de usar aquele apelido ridículo que ele me deu.
“Tudo bem. Só estou feliz que você chegou”, eu digo, sentindo um grande alívio quando ele se senta na minha frente. Nós trocamos apenas algumas palavras enquanto comemos.
“Estou ansiosa para você conhecer a minha família”, eu digo, finalmente quebrando o silêncio constrangedor. “Eles vão adorar você.”
Seamus limpa a boca com um guardanapo. “Sobre isso.” Ele limpa a garganta. “Eu acho que nós deveríamos terminar.”
“O quê? Por quê?” Meus olhos se arregalam. “Isso é algum tipo de piada?”
Ele balança a cabeça. “Eu só não acho que estamos prontos para esse passo. Sinceramente, não sinto que temos uma ligação forte, e conhecer os pais... Isso só complica as coisas.”
“Você está terminando comigo duas semanas antes do Natal?” Eu luto contra a vontade de gritar com ele.
“Acho que é para o melhor”, diz Seamus, tentando justificar a sua decisão. “Quero ser honesto com você. Não quero ser um idiota.”
Eu franzo a testa. “Isso é você não sendo um idiota?! O que eu vou dizer para a minha família, Seamus? Eles estão esperando que eu leve você.”
Pelo menos eu não vou ter que explicar a tatuagem para ele.
Seamus solta um riso debochado. “Eu sabia que você ia agir assim.”
“Assim como?” eu pergunto.
Ele dá de ombros. “Que você ia exagerar.”
O quê?! Ele acabou de dizer que eu estou exagerando? Ele disse isso, não disse?!
“Exagerar? Eu vou te mostrar o que é exagerar.” Eu me levanto, pego o meu copo de água e jogo na cara dele. Seamus me olha com raiva enquanto eu dou meia-volta e saio pisando duro do restaurante.
Ugh! Que cara de pau, penso ao pisar lá fora. Pego o meu celular para ver a hora, quando a neve escorrega do telhado e cai em cima de mim. Algumas pessoas por perto me lançam olhares estranhos, enquanto outras riem.
O universo está conspirando contra mim, penso, limpando a neve dos meus ombros. Esta noite não pode piorar.
Ando a passos pesados pela calçada até o meu carro, puxo a porta com força e bato com tudo ao fechar, fervendo de raiva no caminho para casa.
No meu apartamento, tomo um banho rápido e me sento no sofá com uma taça de vinho tinto. Ainda não consigo acreditar que aquele idiota me deu um fora bem antes do Natal, ou que eu estava planejando apresentá-lo aos meus pais. Dou um grande gole no vinho.
O que eu devo fazer agora?
Eu suspiro. É tarde demais para pedir que algum dos meus amigos me acompanhe, pois todos já fizeram planos. E eu não preciso de um amigo. Preciso de um namorado.
Se eu aparecer sozinha, a minha mãe nunca vai me deixar em paz sobre isso. Ela quer que eu encontre um bom homem, assim como ela fez, mas nem todo mundo pode ser como os meus pais. Eles se conheceram aos dezesseis anos e ainda são loucamente apaixonados. Às vezes, tenho inveja da felicidade deles.
Sei que a minha mãe torce em segredo para eu ficar com o Derek. E o Derek, aquele idiota, vai zombar de mim por estar sozinha de novo. Eu esfrego as minhas têmporas. Preciso de um maldito milagre.
Espere, e se for o Derek?
Sei que é uma ideia terrível assim que ela surge na minha cabeça. Nossos pais são melhores amigos e nós nos conhecemos desde que éramos bebês, mas estou desesperada.
Esfrego o queixo, considerando a ideia. Ouvi dizer que a namorada o traiu, então fingir ser um casal poderia resolver os problemas de nós dois. Poderíamos inventar uma história sobre como finalmente percebemos nossos sentimentos um pelo outro, algo que nossas mães querem desde que éramos crianças.
A mamãe iria à loucura com isso. Embora, se o Derek descobrir sobre a minha tatuagem, eu vou morrer de vergonha. Não que eu esteja planejando mostrar a minha bunda para ele.
Para falar a verdade, eu tinha uma quedinha pelo Derek quando estávamos crescendo, mas isso faz muito tempo e acabei superando. Não é como se ele algum dia tivesse demonstrado algum interesse em mim, de qualquer forma. Ignorando o meu bom senso, pego o meu celular e ligo para o número dele.
“Freckles”, a voz grossa do Derek atende. “A que devo esse prazer?”
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