
Amigos, Certo?
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Capítulo 1
AMIAH
SÁBADO
“É um ótimo filme. Você só está irritado porque nada explodiu,” eu disse e prendi meu cabelo bagunçado em um coque alto e desarrumado.
“Não é um filme bom se nada explode, Amiah.” Mason revirou os olhos para mim.
Ele, Levi e eu estávamos sentados no sofá da sala deles, completando nosso ritual de sábado com jantar, um filme e reclamações. Muitas reclamações. E eu ocasionalmente desmaiando no sofá deles por beber muito vinho.
“Eu achei muito bom,” disse Levi, olhando para mim. “Com certeza melhor do que aquele filme chato de zumbi que ele escolheu na semana passada.”
Eu ri, pegando minha taça de vinho da mesa. “Eu avisei!” Falei isso para Mason, que estava sentado ao lado de Levi, com o braço em volta dos ombros do moreno de cabelos cacheados.
Conheci Levi e Mason há seis anos, e nós três somos quase inseparáveis desde então. Mas, nos últimos cinco anos, eles são um casal. Isso não mudou a nossa dinâmica, no entanto, e eu agradecia por isso.
Eles eram tão fofos juntos, mas eram sem vergonha. Sem vergonha em mostrar seu carinho um pelo outro e sem vergonha em flertar comigo. Se eu não soubesse a verdade, diria que eles se sentiam atraídos por mim. Mas eu sabia que não.
“Ah, tanto faz.” Mason bufou, revirando os olhos para nós. “Vamos ver o que você” — ele cutucou o peito de Levi — “vai escolher no próximo fim de semana.”
Ah, merda. “Hum… sobre isso,” comecei, depois me levantei do sofá e estiquei os braços acima da cabeça, tentando me acalmar. Isso não é nada demais, apenas conte a eles. Eles vão entender. Eu dei a mim mesma uma palavra de incentivo. “Eu não vou vir no próximo fim de semana.”
Levi ergueu uma sobrancelha, mas Mason pareceu um pouco irritado.
“Você nunca perde a noite de filme,” disse Levi. “É bom que seja para um encontro quente, caso contrário, podemos ficar ofendidos.”
Mason deu um sorriso, mas ele não chegou aos seus olhos.
Fazia muito tempo desde o meu último encontro, então eu sabia que eles ficariam felizes por mim. Ainda assim, contar a eles parecia estranho. “Certo… na verdade… sim, é um encontro,” consegui dizer.
Mason estreitou os olhos. “Com quem?”
Ah, é verdade. Essa era a razão de parecer estranho. Embora os dois tivessem flertado comigo ao longo dos anos, o flerte de Mason sempre pareceu mais real. Sério e intencional. Já o de Levi parecia brincadeira. Uma parte de mim sabia que Mason reagiria com ciúmes.
Mas uma garota também precisava transar um pouco, certo? Eu não podia ser simplesmente a vela celibatária deles a minha vida toda. Eu merecia ter as minhas coisas, e não deixaria que me fizessem sentir mal por isso.
Eles não ficariam felizes com o meu encontro, então desconversei. “Não importa.” Terminei minha taça e caminhei até a cozinha americana. “Não é nada demais. Tenho certeza de que não vai dar em nada.” Coloquei mais uma taça de prosecco.
Voltei para a sala de estar e me sentei no braço da poltrona ao lado do sofá. O ar estava pesado com o descontentamento estampado no rosto de Mason. Ele parecia mais um marido ciumento do que um amigo curioso.
Levi colocou a mão na coxa de Mason e a apertou, depois disse: “Nós ficaríamos mais confortáveis se você nos contasse quem é essa pessoa.” Então ele se animou e sorriu. “Afinal, precisamos saber quem teremos que caçar se você acabar desaparecendo.”
Não consegui evitar o sorriso que repuxou os cantos dos meus lábios. Levi sempre deixava as coisas menos tensas. Eu amava isso nele. Suspirei e olhei para a minha taça. “É o Theo. Da faculdade.”
Mason zombou e eu levantei o olhar. Seus olhos estavam estreitados de novo, enquanto os de Levi estavam arregalados.
“O cara por quem você tinha uma queda enorme?” Mason cuspiu as palavras.
Eu balancei a cabeça e minhas bochechas queimaram sob seu intenso olhar cinza. Mas lembrei a mim mesma de que merecia uma vida romântica, então endireitei a postura e afastei a vergonha.
“Ele foi ao escritório na sexta-feira,” eu disse. “Uma coisa levou à outra, e agora eu tenho um encontro.” Eu sorri e ergui minha taça, depois tomei um gole.
“Mas como? Quero dizer, você não o vê nem fala com ele há anos. Como ele sabia onde você trabalhava? Talvez ele seja um perse—”
“Chega.” Levi deu uma cotovelada nele.
Os dois se olharam e tiveram um impasse silencioso antes de Mason soltar uma respiração profunda, desviar o olhar dele e cruzar os braços sobre o peito.
Levi se virou para mim e sorriu. “Aonde o cara de sorte vai levar você?”
A tensão no ar diminuiu, e eu saí do braço para me sentar na poltrona. Eu só queria voltar a conversar como amigos, então tentei manter um tom leve. “Firefly. Um pouco demais para um primeiro encontro, não acha?”
“Nós te levaríamos a um lugar mais legal,” zombou Mason, com os braços ainda cruzados.
Por que ele está agindo como um bebê sobre isso? Com certeza ele não pode estar com ciúmes de verdade? Eu o ignorei. “Com o salário do escritório de advocacia, eu não deveria nem colocar um pé naquele lugar,” eu disse para Levi, e depois ri.
Levi não riu comigo. “Sabe, Mi,” ele disse, seus olhos castanhos passeando pelo meu corpo, “eu devo dizer que estamos um pouco magoados.”
Eu me arrepiei com o olhar dele e tomei um gole da minha taça. Por que ele está olhando para mim desse jeito? Ele sente atração por mulheres? Por mim? Os dois sentem? Percebi que nunca tinha perguntado sobre a sexualidade deles; eu apenas presumi que ambos eram homossexuais. Eu estive errada esse tempo todo?
Levi continuou. “Nós pedimos para sair com você nos fins de semana também.” Ele segurou o braço de Mason para descruzá-lo, e depois segurou a mão dele. “Por que o Theo recebe um sim quando nós só recebemos nãos?”
As expressões nos rostos deles me diziam que essa era uma pergunta séria, mas eu não estava preparada para essa conversa. Eu não achava que um dia teria essa conversa com esses dois. Essa informação nova fez a minha cabeça girar, mas então um pensamento me veio à mente.
Talvez eu devesse testá-los.
Limpei a garganta e me levantei. Eu sorri e, mantendo o meu tom brincalhão, disse: “Eu sei, eu sei. Mas, às vezes, apenas uma conversa estimulante não é o bastante.” Eu terminei a minha taça. “Um encontro com o Theo pode de fato me fazer transar. E eu preciso transar.”
Analisei as reações deles. Levi inclinou a cabeça ligeiramente em direção a Mason, apertou a mão dele e deu um sorriso de lado. Mason percorreu o meu corpo com os olhos, e então um sorriso começou a puxar os cantos da sua boca.
“Eu tenho certeza de que nós poderíamos oferecer a você uma noite muito melhor nesse departamento do que o Theo poderia.” Mason inclinou a cabeça em direção a Levi e apertou a mão dele.
Isso já era o bastante por uma noite. Eu precisava ir para casa e processar tudo isso, então dei uma risadinha e disse: “Eu tenho certeza de que vocês também poderiam. Mas eu devo ir para casa. Tenho que trabalhar amanhã.”
Fui para a cozinha e calcei as minhas sandálias, pegando meu cardigã e a bolsa no cabideiro perto da porta da frente. “Me avisem qual merda artística o Levi vai escolher para a próxima vez,” eu disse por cima do ombro.
“Avisaremos. Mas você vai estar perdendo,” gritou Mason enquanto eu abria a porta da frente deles.
“Tenho certeza que sim.” Mandei um beijo no ar para eles e acenei em despedida.
No caminho para casa, eu questionei todo o nosso relacionamento, todas as nossas interações. Eles tinham sentimentos por mim esse tempo todo? Eu não tinha percebido isso desde o começo? Eles iam me convidar para me juntar a eles? Eu gostaria de me juntar a eles?
A noite tinha começado como qualquer outra com eles, mas agora tudo estava diferente. Estava mudando. Mas mudando para o quê?
MASON
“Puta que pariu, Levi.” Joguei minha cabeça para trás com um gemido e cobri meus olhos com as palmas das mãos. “A gente devia ter contado a ela. Esse era o nosso momento. Agora ela vai ter a porra de um encontro com aquele Theo.”
“Vai ficar tudo bem.” Ele passou a mão pela bagunça dos seus cabelos cacheados. “Nós só precisamos contar a ela antes disso.”
Eu virei a cabeça bruscamente para ele. “Contar a ela? A gente basicamente passou a maior parte de seis anos dizendo a ela que nós—”
“Que nós queremos foder ela.” Ele levantou um dedo. “Não que nós queremos ficar com ela.”
Porra, eu odiava quando ele tinha razão. Se ela percebesse qualquer um dos nossos sinais, ela acharia que só estávamos interessados em sexo. O que nós estávamos, mas também queríamos mais.
Suspirei e coloquei as palmas das mãos de volta sobre os olhos. “E se nós não encontrarmos tempo antes do próximo sábado, você acha que ela vai se dar bem com ele?”
Levi bufou e apertou a minha coxa. “Por favor, nós dois sabemos que ela nos acha atraentes — ela já disse isso centenas de vezes.”
Ela tinha dito, mas o rosto dela também dizia isso porque ela não sabia disfarçar. As bochechas dela ficavam vermelhas toda vez que eu a pegava olhando eu e Levi nos beijarmos. E eu a pegava fazendo isso com frequência.
Ainda assim, isso não me fez sentir melhor. Bufei e descobri os olhos, colocando minhas mãos sobre as de Levi na minha coxa. “Era para ser a gente levando ela para sair.” Não consegui evitar o tom de lamentação na minha voz.
“Amor, vai ficar tudo bem. Nós demos dicas bem fortes hoje à noite. Tenho certeza de que ela finalmente percebeu. E, sabendo disso, não tem como ela escolher o Theo.” Ele apertou minha coxa de novo e me deu um sorriso suave. Ele sempre sabia o que dizer para me acalmar.
Eu sorri de volta para ele, mas uma pergunta chata exigia ser feita. “Você não tem nenhum medo de que a gente acabe fodendo completamente com essa amizade?”
“Não,” ele respondeu com facilidade. “Ela só precisa estar aberta à ideia. Hoje à noite foi um bom começo, mas precisamos ser completamente honestos com ela.”
“Então, o que você sugere que a gente faça?”
“Melhor não esperar,” ele disse. “Vamos contar a ela amanhã. Café da manhã na cama. Faremos uma surpresa.”
Virei-me para ele com os olhos arregalados. “Tem certeza de que essa é uma boa ideia?”
Levi assentiu, cheio de confiança. “Ela vai ter a noite inteira para pensar em tudo.” Ele levou a mão ao meu rosto. “Você tinha razão antes. Este é o nosso momento.”











































