
Helion's Kitchen
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Posta à Prova
É o meu primeiro dia, e eu estou atrasada!
Eu nem consegui a porra do emprego ainda, por causa dos testes de uma semana para nos avaliar, e já estou fodendo com tudo antes mesmo de começar. Talvez, se eu entrar de fininho pelos fundos, eles não percebam?
Quem eu quero enganar? É claro que eles vão perceber. Se o e-mail estiver correto, apenas cinco de nós foram convidados para isso, e se quatro estão bem na frente dele, não é preciso ser um gênio para notar que falta um.
Eu já li sobre ele, o Chef Helion. Ele é uma lenda na nossa área e um mestre na cozinha. Ele é um chef com várias estrelas Michelin, e a chance de trabalhar para ele é algo que eu simplesmente não posso deixar de tentar.
Infelizmente, eu provavelmente vou ser expulsa antes mesmo de pegar uma espátula. Ouvi dizer que ele é implacável, e eu não o culparia se ficasse puto por eu chegar atrasada no primeiro dia. Quem faz uma coisa dessas?
Saindo apressada do táxi para a rua em frente ao restaurante, eu rapidamente prendo meu cabelo em um rabo de cavalo enquanto passo pela porta de metal brilhante.
Como era de se esperar, o lugar está vazio, e eu me esgueiro por entre as mesas em direção à cozinha, na esperança de sair dessa viva de alguma forma.
Eu consigo ouvir a voz dele antes de empurrar as portas duplas, e é profunda e rouca. É o tipo de voz que você espera quando imagina a forma humana de “sexo em pessoa”, e quando eu entro para encará-lo, bem, a voz combina perfeitamente.
A dólmã branca se ajusta muito bem aos músculos dos braços e do peito dele, fazendo sua pele parecer mais dourada pelo contraste. O cabelo escuro e cacheado chega até as orelhas, e está arrumado com perfeição, mesmo que ele esteja aqui apenas para trabalhar.
Seus lábios lindos e carnudos se apertam de irritação quando ele nota a minha entrada. “Chef Darcy, eu presumo?” Seus olhos cor de chocolate escuro encaram os meus como se ele estivesse testando a teoria de que olhares podem realmente matar.
“Sim, Chef. Me desculpe, Chef. Minha colega de quarto roubou o meu carro.” Eu olho para o chão enquanto falo como um sinal de submissão que eu espero que o agrade.
A colega de quarto em questão agora tem trinta dias para dar o fora do meu apartamento, e se o meu carro não for devolvido até o fim da tarde, eu vou dar queixa na polícia.
Eu não me importo se o namorado dela precisava de uma carona para o aeroporto; este é o teste mais importante da minha vida, e ela possivelmente já estragou tudo.
“Para o meu escritório, agora”, ele me diz, e depois olha para os outros quatro. “O resto de vocês, comecem a preparar as coisas, e eu volto em breve.” A voz dele ecoa pelo lugar.
Meu coração aperta, e eu arrasto os pés atrás dele. Eu quero apenas pular a bronca e a demissão que estão prestes a vir. Mas, eu posso ser demitida se, tecnicamente, eu ainda não fui contratada? De alguma forma, isso torna tudo pior.
Eu dei um duro danado no processo de entrevista e pesquisei cada um dos restaurantes que ele já teve (e são muitos!), tudo para terminar aqui sem ele sequer provar a minha comida.
Ele fecha a porta atrás de nós quando eu entro, e eu reparo nas cadeiras de couro, na mesa grande e na iluminação baixa. O escritório dele é chique e elegante, não é algo que eu esperava nos fundos de um restaurante perto da cozinha. O que me vem à mente são pisos grudentos e manchas de gordura.
“Se o que você diz é verdade, eu estou disposto a lhe dar uma chance de ficar, mas você provavelmente não vai gostar”, ele fala.
Se não me engano, há um brilho diabólico nos olhos dele, mas eu não me importo. Estou disposta a fazer o que for preciso para ficar. “Eu aceito! Eu farei qualquer coisa, Chef!” eu imploro, e o sorriso dele se alarga como se ele estivesse possuído pelo próprio Gato de Cheshire.
Ele aponta para a cadeira em frente à mesa enquanto vai para o lado dele e abre uma gaveta. Eu me sento na cadeira coberta de couro e sinto a superfície fria através da minha calça.
“Vou oferecer a você o gosto de algo, e quero que você o identifique corretamente. Se errar, você está fora. Se acertar, está livre para continuar.”
Após olhar a gaveta por um segundo, ele tira uma gravata de seda e a oferece para mim por cima da mesa. Ela é macia contra as pontas dos meus dedos e tem um cheiro forte de perfume caro. Algo que o meu ex nunca poderia pagar.
“Sem trapacear, ou você está fora. Agora, cubra os seus olhos e abra a boca.” O tom autoritário dele passa direto pelo meu corpo e vai até os dedos dos meus pés.
Eu hesito por apenas um segundo, depois puxo a gravata sobre os meus olhos com as mãos trêmulas e tento pensar no que ele poderia ter aqui para um teste como esse.
Não pode ser algo fresco, não pode ser perecível, e certamente é algo muito usado.
“Você está pronta?” A boca dele está perto da minha orelha agora, e eu nem sequer o ouvi se mover para este lado da mesa.
Eu espero que ele confunda o meu arrepio com surpresa, ou isso pode ficar ainda mais constrangedor. “Estou pronta”, eu digo as palavras em um tom que não passa de um sussurro.
Eu mantenho a minha boca aberta e espero a colher — ou outro utensílio — entrar. Eu não faço ideia do que fazer com a minha língua, mas, depois de alguns segundos sem que nada aconteça, começo a me perguntar se, de algum jeito, entendi errado as instruções dele.
Meus pensamentos são interrompidos quando o dedo dele entra na minha boca e acaricia a superfície da minha língua. Eu não sei por que, mas todos os meus instintos me dizem para chupar. Então, é o que eu faço.
















































