
LILAC Irmandade 3: Debaixo do Meu Nariz
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Intuição de Irmã
RHEA
Livro 3: Bem Debaixo do Meu Nariz
Tudo tem sido muito difícil de lidar desde que perdemos nosso pai de repente em um acidente de carro. Eu sou a caçula da família e todos cuidaram de mim desde que me entendo por gente, mas tenho tentado assumir a responsabilidade e cuidar da minha mãe, do meu irmão e da minha irmã desde o acidente.
Minha mãe é quem está sofrendo mais; ela e meu pai eram muito apaixonados, e isso era óbvio para todos ao redor deles. Ver minha mãe sofrer com a solidão e a depressão foi a parte mais dura. Pelo lado bom, a perda acabou deixando nossa família mais unida, especialmente eu e minha irmã mais velha, Priya. Nós sempre fomos próximas, mas de alguma forma não nos desgrudamos nos últimos meses.
Meu irmão Kade vai se casar. Tenho certeza de que ele adoraria ter o nosso pai lá, mas ele está lidando bem com isso. Ajuda muito o fato de que ele está muito feliz com a noiva. Nossa mãe tem mergulhado de cabeça nisso tudo, fazendo tudo o que pode para que seja um sucesso, mesmo que todos nós sintamos falta do pai.
Mas temos mais boas notícias: nós acabamos de descobrir que o Kade e a noiva dele, Sloan, estão esperando um bebê. Minha primeira sobrinha vai se chamar Clover Mae, e nós estamos todos muito animados para recebê-la na família. Tudo parece estar dando certo ou até melhorando para todos pela primeira vez desde que o nosso mundo virou de cabeça para baixo no ano passado. É muito bom sentir que podemos começar a viver de novo, mesmo sem o pai por perto pessoalmente. Eu consigo sentir o calor dele em todos os lugares.
***
Hoje é o casamento, e eu não consigo evitar refletir um pouco sobre a minha vida e onde eu estou. Meu irmão está seguindo em frente com a carreira dele e vai se casar, nossa, ele está prestes a ser pai. Enquanto isso, a Priya é uma mulher tão dona de si que não precisa de ninguém, e eu estou apenas sentada aqui solteira, esperando o cara certo aparecer e me arrebatar. Não é a situação ideal, mas eu já tentei de tudo no mundo dos encontros. Eu só nunca conheci o cara certo.
Eu não sei do que eu realmente preciso, mas eu sei o que quero. O meu cara deveria ter músculos grandes capazes de me jogar de um lado para o outro quando eu quiser. Ao mesmo tempo, eu sou pequena e, mesmo que eu saiba me cuidar, quero me sentir protegida quando precisar dele. Eu preciso de um cara com um ótimo senso de humor, porque eu posso ser um pouco esquisita às vezes e só quero alguém com quem dar risada. Vamos ver, seria incrível se ele se desse bem com a minha família. Eu sei, não precisam me dizer, essas são grandes expectativas, mas espero encontrá-lo algum dia.
Eu passei grande parte da minha vida me preocupando com a percepção das pessoas. Quando éramos crianças, as pessoas pegavam no pé da minha mãe e do meu pai porque eles estavam em um relacionamento interracial. Eu tinha medo de que isso respingasse em mim se eu alguma vez decidisse namorar um dos garotos que me convidaram para sair quando eu era mais nova.
Não me entenda mal, eu já tenho uma certa rodagem, mas sou muito mais feliz lendo os meus livros de romance. Gosto de viver a vida através das personagens principais. É mais fácil do que dar a cara a tapa só para me decepcionar. Eu não consigo nem me olhar no espelho sem pensar no fato de que eu posso morrer sozinha.
Quando eu tinha doze anos, uma garota bonita da escola disse que eu era uma garota parda e sem graça, e eu nunca tirei isso da cabeça. Ela disse que meus olhos, minha pele e meu cabelo eram todos da mesma cor e eu parecia entediante. É difícil me sentir bonita o suficiente para me aproximar de alguém quando a primeira palavra que eu usaria para me descrever é sem graça.
Meus pensamentos são interrompidos quando a Priya bate na minha porta para me buscar para o casamento. De volta à realidade; o dia de hoje não é nem um pouco sobre mim.
Quando abro a porta, a Priya me recebe com um abraço gigante. A personalidade dela poderia facilmente ser descrita como exagerada, mas acho a alegria dela muito fofa.
“Como você se sente?” eu pergunto, sorrindo e dando uma risadinha.
“Hoje nós ganhamos uma nova irmã.” Priya dá uma risadinha animada enquanto entra.
Uma nova irmã, eu já amo a Sloan, mas agora ela vai ser da família. “Você tem razão, isso é muito incrível, e eu gosto muito da Sloan,” eu admito.
Os olhos da Priya ficam arregalados como pires enquanto ela fala com uma voz doce: “Vai ser tão legal ver o Kade todo apaixonado e feliz. Vai ser o primeiro dia verdadeiramente feliz que temos em um bom tempo.”
“A mãe vai sorrir de novo,” eu falo em voz alta.
“Você tem razão. Eu apenas sei que vai ser um ótimo dia!” Priya bate palmas. “Você está pronta para ir?” ela pergunta, apontando para a porta.
“Claro, vamos lá!”
Depois de empilhar tudo o que precisamos para nos arrumar em nossos braços, levamos as coisas para fora e entramos no carro. O GPS faz um barulho chato enquanto tentamos sair do bairro, então a Priya dirige até a casa dos pais da Sloan, onde o casamento será realizado.
“Você está nervosa por ser uma dama de honra?” pergunto, porque de repente estou me sentindo muito nervosa.
Ainda não tenho certeza se quero contar o motivo para a Priya, mas estou apenas testando o terreno.
“Não, vai ser ótimo. Os vestidos que a Sloan escolheu são incríveis, e vai ser maravilhoso,” ela responde com um grande sorriso.
“E sobre os caras com quem nós vamos entrar?” eu pergunto para ser mais clara.
“Os caras da banda?” ela fica boquiaberta. “Quem se importa? Eles são praticamente nossos irmãos,” ela diz com uma risada.
“É, você tem razão,” eu digo da forma mais convincente que consigo.
É verdade que nós conhecemos os colegas de banda do meu irmão desde sempre, mas eu não consigo esquecer a forma como me senti no jantar de ensaio quando vi o Sean Barlow.
“Tem alguma coisa que você não está me contando…,” Priya diz de um jeito misterioso.
Ela faz um bico e pequenos barulhos com a boca, como se estivesse tentando sugar a fofoca do ar.
Eu não quero contar para ela, mas fui eu quem tocou no assunto, então talvez, lá no fundo, eu quisesse contar. “Como você sabe?” eu retruco.
“É como uma intuição de irmã,” ela insiste enquanto gira a mão no ar para me mandar ir direto ao ponto.
“Eu não sei, posso estar completamente enganada,” digo enquanto me viro para olhar pela janela para esconder meu rosto vermelho.
“Apenas me conte, não é como se eu fosse fazer alguma coisa sobre isso,” Priya insiste.
Mentira, isso é pura mentira. A Priya não tem filtro nenhum, e ela adora se meter na vida de todo mundo. “Você tem razão, isso não parece nada com você,” eu falo com ironia.
“Nossa, o seu sarcasmo machuca.” Ela dá uma risadinha.
“Não machuca, não. Eu conheço você; você é como uma parede impenetrável. Todas as minhas provocações simplesmente batem e voltam em você,” eu a lembro.
“Droga, Ray, apenas me conte logo!” Priya grita em um tom brincalhão.
“Tá bom, ok!” eu grito, antes de limpar a garganta e tentar soar normal. “O que você acha do Sean?” pergunto tão baixo que nem tenho certeza se o som realmente saiu.
“Você quer saber o que eu acho, ou quer me dizer o que você acha?” ela responde, levantando uma sobrancelha.
Neste momento, eu fico feliz que ela tenha que virar o rosto e voltar a olhar para a estrada.
“Tudo bem! Eu acho que ele é lindo, muito lindo mesmo. Ele é tão grande e bruto,” eu admito, e consigo ouvir o desejo sexual na minha própria voz antes mesmo de perceber.
“O Sean?” ela dá uma meia risada.
“Sim, você não reparou no quanto o corpo dele cresceu? No jantar de ensaio, eu não conseguia tirar os olhos dele. Os braços dele são muito fortes e ele é tão alto... pode me inscrever para subir naquela árvore,” eu dou uma risada.
Parece que, agora que eu comecei a falar, não consigo mais parar.
“Desculpe. O Sean, o garoto com quem a gente fazia campeonatos de comer marshmallows?” Priya ri.
A risada dela machuca um pouco os meus sentimentos. Então eu respondo num tom sério: “Sim.”
“O Sean, que literalmente abria a porta do nosso quarto, peidava e saía correndo?” ela continua.
“Sim.”
“Nossa.” Ela dá uma risadinha.
“Pare com isso. Você disse que não seria má,” eu faço bico.
“Não. Na verdade, eu disse que não faria nada sobre isso,” ela me lembra.
Talvez eu tenha lido livros demais, mas o Sean pode estar totalmente diferente agora. Eu espero estar diferente da garota que ele lembra.
“Você gostaria de ser julgada como a pessoa que você era no colégio?” eu pergunto à Priya.
“Justo,” ela admite. “Então me conte, como você se sente em relação ao Sean?” ela pergunta em um tom mais compreensivo.
“Eu estou definitivamente interessada. Claro, todo esse casamento do Kade tem me feito pensar no futuro. Eu quero encontrar alguém para me casar. Talvez a minha cabeça esteja uma bagunça, mas eu sou muito tímida para fazer qualquer coisa a respeito. Além disso, é você quem vai entrar com ele na igreja,” eu falo tudo de uma vez.
“Isso é só porque eu sou mais velha,” ela insiste. “Você quer trocar de garotos?”
“Não! Com certeza não, isso vai ficar muito óbvio,” eu solto um grito agudo.
Eu já estou morta de vergonha, e eu nem estou perto do Sean ainda. Eu meio que queria poder voltar os últimos dez minutos no tempo e não dizer nada.
“Eu acho que você tem razão.” Priya concorda com a cabeça. “Bem, eu sei que você não sai para muitos encontros hoje em dia, mas acho que você deveria conversar com ele hoje à noite, flertar um pouco e deixar claro o que você quer.”
“Eu não sei flertar,” eu insisto.
“Você não precisa flertar, apenas converse com ele, veja se rola um clima de algo a mais do que amigos entre vocês,” Priya me ensina.
“Eu vou dar o meu melhor,” eu digo baixinho e, em seguida, viro o meu rosto para olhar pela janela mais uma vez.
Eu só quero me esconder debaixo de uma pedra e morrer, literalmente. Não é que eu não saiba como flertar; eu só não sou boa no mundo dos encontros. A maioria dos homens da minha idade não chega aos pés dos heróis dos meus livros favoritos. Os livros são melhores, e eu simplesmente aceitei isso.










































