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O Conto de uma Fae 2: A Maldição do Destino

Autor
Nicole Woodward
Leituras
179K
Capítulos
64
Autor
Nicole Woodward
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Capítulos
64
💕Romance🧛🏻Vampiros💘Par prometido💪🏻Protetor🧚🏼‍♂️Fadas🧙‍♂️Sobrenatural & fantasia⚔️Ação & aventura👑Realeza e aristocracia🐉Dragões🐉Fantasia

Recém-alada e recém-noiva, Ella Briarsand é a maior esperança do reino — e seu maior alvo. Enquanto as celebrações preenchem os salões de Sablewood, uma maldição que se espalha e encantamentos clericais se fecham sobre as pessoas que ela ama, incluindo sua prima Rosalia, agora possuída por uma força sombria que precisa ser banida antes que a destrua. Ao lado de Ella está o Príncipe Alaric, seu amor nascido das sombras e meio-Fae, preso a um destino próprio. Conforme sua aura laranja se fortalece, Ella enfrenta um dragão amaldiçoado e uma missão que pode mudar o futuro de Elarion — uma que a força a decidir que tipo de líder, e lenda, ela está destinada a se tornar.

Uma Noite Diferente das Outras

BOOK 2: CURSE OF DESTINY

“Cerveja para a maravilha alada!”
O grito de Ulrich ecoou pelo salão principal um instante antes de ele tropeçar nos degraus do palco, fazendo a sua caneca escorregar pelo mármore. A espuma manchou a pedra, seguida por um gemido coletivo dos convidados próximos.
Ella ainda estava brilhando, por dentro e por fora, quando Conric correu atrás do seu irmão com um sorriso tão grande que poderia colocar os dois em problemas.
O Rei Mazale nem piscou os olhos. “Em todos os meus anos de vida, eu nunca vi cerveja ser derramada no palco principal.”
Conric abaixou a cabeça, e os seus cachos escuros caíram para frente. “Em minha defesa, Majestade, essa ideia foi do Chef Gael.”
“Sou culpado,” Gael gritou do corredor. “Mas a Lady Moriella merece uma festa de verdade.”
Ulrich se endireitou com um grande sorriso. “Isso mesmo! E você fez tudo parecer tão fácil, Ella!”
As asas dela se mexeram sozinhas. “Fácil?” ela brincou. “A minha imitação de uma banshee gritando não foi convincente o bastante?”
O pequeno grupo de pessoas deu risadas suaves, quentes e aliviadas, mas ainda um pouco esgotadas pelas beiradas.
Sylvan se juntou a eles com um sorriso. “Ella, eu juro que a sua envergadura é maior do que a minha.”
“Você sabe o que dizem sobre grandes envergaduras—” Conric começou, mexendo as sobrancelhas.
“Hum… alguém pode me ajudar aqui?”
Gwenne estava com o vestido enrolado nos degraus. Sylvan estendeu a mão como um cavalheiro, e em seguida, Ella também a ajudou.
“Ellie,” ela respirou, abraçando-a. “Você está radiante. Depois de tudo o que aconteceu… eu não tenho nem palavras.”
Ella encostou a sua testa na dela, fechando os olhos por um segundo, roubando um momento de paz no meio de todo o barulho. “Eu não teria conseguido fazer isso sem todos vocês.”
Quando Gwenne saiu de perto, Alaric tomou o seu lugar, passando o braço em volta de Ella em um gesto que ancorou e acalmou o tremor abaixo de suas costelas.
“É só pedir,” ele sussurrou para ela, “e eu mando todos saírem da sala. Você merece um pouco de paz, meu amor.”
Ela encostou o corpo nele, ajustando as asas com cuidado para não machucar as costelas dele. “Desde que você esteja ao meu lado, eu já tenho toda a paz do mundo.”
Ella aumentou o tom de voz. “Eu vou tomar uma bebida — só uma — mas me deixem passar por essa fila primeiro.”
Mesmo com uma pequena lista de convidados, a fila parecia não ter fim. O salão espelhado brilhava com a luz das velas, com cada superfície confirmando identidades silenciosamente e dando a Ella vislumbres de si mesma, recém-alada, com a sua radiante aura laranja.
Puck foi o primeiro a chegar até ela.
A cadeira mágica dele rolou até a beirada do palco, e os olhos dele brilhavam com lágrimas que não caíam.
“Eu sabia que você ia ganhar as suas asas,” ele falou bem baixinho.
Ella deu uma risada suave e um pouco cansada. “E eu prometi que ia voar com você, lembra disso?”
A respiração dele falhou. “Sim. Eu lembro.”
Ela tirou uma corda de couro mágica de dentro do vestido, a mesma que Lysander tinha usado para não deixá-la cair quando ela saiu de casa pela primeira vez.
“Você quer dar um voo rápido comigo antes de eu falar com os outros?”
Ele engoliu em seco e concordou com a cabeça. “Só… não me deixe cair no chão, Ellie.”
“Nunca.”
Ela prendeu a corda de forma bem firme e segura, levantando Puck da cadeira. A confiança dele nela se assentou no espaço entre eles de forma tão certa quanto o seu peso.
Alaric concordou com a cabeça. “Aproveite bastante, Puck.”
As asas de Ella abriram com força quando eles subiram em direção à claraboia. As paredes de espelho criaram milhares de reflexos deles, e a luz mágica dela se espalhou como o amanhecer rompendo nuvens de tempestade.
Puck soltou um grito alto de vitória, e as lágrimas dele finalmente rolaram pelo seu rosto.
Os convidados lá embaixo olharam para o alto, com as mãos sobre os corações, enquanto o salão ficou em silêncio de tanta admiração.
“Depois nós vamos fazer um voo de verdade,” ela sussurrou no ouvido dele. “Céu aberto. Com muito vento. E voar bem longe. Eu juro.”
“Eu vou cobrar a sua promessa,” ele sussurrou de volta.
Eles pousaram juntos, sem fôlego, e Ella colocou Puck de volta na cadeira com cuidado enquanto a multidão explodia em aplausos.
Os pais dela vieram logo em seguida, cheios de amor e orgulho silencioso. Tutores, atendentes e Cônsules também vieram com elogios formais e bons desejos.
Harley e Lysander foram os últimos da fila. Eles tinham acabado de voltar da reunião com os líderes da igreja.
“Eles foram embora sem causar problemas?” ela perguntou. Ela olhou direto para Lysander.
“Eles tomaram o antídoto sem reclamar,” ele confirmou. “Nós avisamos que enviariam escoltas para a Lady Rosalia e o Sir Soric dentro de uma semana. O Barnabas não discutiu, mas disse que eles ‘entrariam em contato’.”
“Babaca sinistro,” Harley murmurou, empalidecendo ao perceber que a Lady Seraphina podia ouvir. “Quero dizer, hum, foi uma honra servir como seu escriba, Lady Moriella.”
Ella deu risada. O nervosismo finalmente foi embora.
Sir Darin chegou mais perto. “Posso dar uma sugestão? A Rosalia poderia viajar pelas montanhas de Drakensridge antes de ir para o reino; é mais seguro durante as tempestades de outono.”
O sorriso de Ella ficou mais meigo, vendo a desculpa esfarrapada dele para ficar perto de Rosalia. “Vamos pensar nisso.”
Quando o último convidado saiu de perto, Ella exalou devagar, com os ombros finalmente relaxando.
Ela se virou de frente para Alaric. “Agora, sobre aquela minha bebida.”
Na mesma hora, o Chef Gael ativou um mecanismo. Bancos de madeira giraram, e mesas subiram do chão de pedra, com vinhas crescendo em volta delas.
Os convidados sentaram nos seus lugares, alguns gravitando para rostos familiares, e outros começando a conversar com novas amizades.
De repente, um grito muito alegre soou no salão.
“Pai!”
Um menino com o cabelo muito bagunçado passou correndo pelas portas do salão, com orelhas élficas aparecendo no meio dos cachos. A sua pobre dama de companhia se debatia atrás dele, com as asas e a paciência em frangalhos.
O menino chegou até Lysander e abraçou a cintura do pai com força.
“Ora, ora,” Lysander falou, bagunçando o cabelo do menino com carinho. “Se não é o garoto mais rápido do Reino.” Ele olhou para cima. “Lady Moriella, conheça o meu filho, Caspian.”
Os olhos de Caspian ficaram enormes ao ver as asas brilhantes dela. “Uau.” Então, lembrando das boas maneiras, ele fez uma reverência rápida. “É um prazer, Lady Moriella. A senhora pode me chamar de Cas.”
O sorriso de Ella aumentou. “Então me chame só de Ella. E…?”
Alaric encolheu um ombro. “Você pode me chamar de Al. O meu nome inteiro deixava os ouvidos jovens dele confusos.”
A dama de companhia finalmente os alcançou, dobrando as asas em exasperação. “Peço desculpas, Lorde Lysander,” ela ofegou. “Ele insistiu em vê-lo.”
“Não há necessidade de pedir desculpas, Briar,” Lysander respondeu. “Nós vamos celebrar o crescimento da Lady Moriella de forma adequada. Tem espaço para mais dois na mesa, certo?”
“Mas é claro,” Ella respondeu feliz. “É maravilhoso poder finalmente conhecer o seu filho e a dama de companhia muito paciente dele.”
“Uma de três,” Caspian disse com bastante orgulho, estufando o peito. “Elas não conseguem mais me acompanhar. O meu pai sempre tem que contratar mais.”
Briar olhou para ele de um jeito muito severo. O olhar dela cortava como uma faca. “Isso não é um motivo para se gabar, mocinho.”
O grupo deu risada enquanto seguiam para as cadeiras. Por um momento, Ella sentiu falta da mesa redonda da cozinha de Gael, onde todos cabiam juntos; mas, por esta noite, aquela serviria.
As portas do salão se abriram novamente, e vários pratos de prata entraram: faisão assado, tortas de pera e tigelas com frutas açucaradas. O vapor subia no ar com cheiro de alecrim, cítricos e fumaça.
Alaric sentou ao lado de Ella bem na hora em que a barriga dela deu um ronco traidor. “Parece que alguém merece um banquete.”
“Não é só fome,” ela murmurou, fazendo uma pequena careta. A menstruação dela tinha chegado mais cedo, é claro.
O sorriso dele sumiu em preocupação. “Você precisa de—?”
Ela o interrompeu com um sorriso tranquilizador. “Apenas comida e uma caneca de cerveja.”
Harley passou por trás dela naquele momento. Ele colocou uma grande caneca na mesa e sorriu. “Problema resolvido.”
Ella pegou a caneca, muito grata. “Chegou na hora perfeita. Vamos comer.”
Em uma mesa próxima, Erannon ficou de pé. As mãos grossas de trabalho dele seguravam a sua própria caneca.
“Eu sou apenas um fazendeiro muito simples,” ele começou a falar.
“O melhor fazendeiro selming de todo o Reino!” Tuck gritou para todos ouvirem.
A sala encheu-se de risadas divertidas e do barulho de canecas batendo umas nas outras.
Erannon sorriu, mas a voz dele estava pesada de emoção. “E mesmo assim, todos os dias, eu me sinto com sorte: dois filhos incríveis, uma esposa que é o meu porto seguro, e agora a minha Ella. Crescida. E com asas.”
As risadas pararam e todos ficaram em silêncio.
“Você se tornou muito mais do que eu imaginava: forte, corajosa e sábia. Mas não importa para onde a vida leve você, sempre vai ser a nossa filha. E nós sempre vamos ficar — ou voar — ao seu lado.”
Os olhos de Ella arderam com vontade de chorar quando o pai dela fez um sinal com a cabeça em respeito a ela.
Ulrich pulou da sua cadeira na hora. “Chega de lágrimas. Um brinde para a Lady Ella!”
Todos no salão gritaram de alegria. As canecas bateram forte. Até Wilia sorriu, com o braço de Sylvan apoiado em volta dos seus ombros.
E mesmo com a festa, um frio estranho subiu pelas costas de Ella. Doze horas atrás, ela era apenas uma prisioneira de Quillen Waylocks, e agora estava aqui: com asas, Quillen morto, e os clérigos expulsos sem cerimônias.
“Você tem certeza de que está tudo bem?” Alaric perguntou baixinho.
“Se você me perguntar isso mais uma vez,” ela murmurou brava, “eu vou pisar bem forte no seu pé.”
Ele fez uma cara de dor falsa. “A Lady Celeste ficaria muito orgulhosa de você.”
Ela soltou um suspiro, acenando com a mão. “Desculpe. Essas malditas emoções.”
Ele pegou a mão dela e deu um beijo suave em seus nós dos dedos. “Você sobreviveu a duas grandes provações hoje. Uma quase te quebrou. A outra te deu asas. Você tem o direito de mostrar um pouco de fogo.”
Ela abriu a boca para protestar, mas depois deu de ombros. “Acho que sim.”
O sorriso de Alaric ficou muito atrevido. “Boa garota.”
Do outro lado da mesa, Caspian chegou o corpo mais perto deles. “Vocês dois já estão casados? E onde foi parar o meu convite de casamento?”
Lysander deu um belo sorriso. “Ainda não, Caspian. É muito provável que aconteça apenas no Solstício de Inverno.”
“Isso não é um assunto para a noite de hoje,” o Rei Mazale falou alto. “Vamos manter o foco na grande vitória da Lady Moriella.”
Ella abaixou a cabeça em sinal de respeito. “Muito obrigada, Vossa Majestade. E obrigada pelos seus comentários durante o evento. Ajudou muito mais do que o senhor pode imaginar.”
As presas de Mazale brilharam com a luz. “Eu tive um desempenho muito bom, não tive?” ele falou com um tom arrastado. “Mas eu devo admitir que os seus entes queridos melhoraram o clima; eu estava pronto para mastigar os clérigos de verdade.”
“Majestade, por favor,” Lysander disse, balançando a cabeça. “O meu filho está aqui. Nada de falar sobre mastigar pessoas.”
Caspian deu um risinho pelo nariz. “O meu pai acha que eu sou um menino inocente.”
“Mas todos nós sabemos a verdade, não é, Cas?” Alaric brincou, piscando o olho.
Entre as garfadas de comida, o olhar de Ella vagou até Lysander e Caspian. Muita coisa tinha mudado para eles também: o Véu Definhante de Isabeau, que antes não tinha cura, agora talvez tivesse um remédio, o antídoto feito com a sua luz mágica.
As penas das asas dela se mexeram. Elas brilhavam como se tivessem pequenas luzes de vela dentro delas.
A maior parte das Fae perdia a luz mágica em meio dia. Mas a luz dela pulsava muito forte. Parecia que não iria embora nunca mais.
Um barulho muito alto quebrou o momento. Conric pulou de pé e foi direto para os músicos; a banda parou de tocar no meio de uma nota quando ele se virou de forma teatral.
“Eu tenho uma confissão!” ele gritou. “Eu não escrevi um relatório de maioridade para os clérigos. Que se fodam todos eles!”
Lady Seraphina deu um grito alto de puro choque. Ninguém ligou para ela. O salão inteiro caiu na gargalhada na mesma hora.
Lysander tentou tampar os ouvidos de Caspian, mas sem muito sucesso; já era muito tarde para isso.
“Mas!” Conric continuou, sorrindo. “Eu vi a grande vitória da Lady Moriella. Eu só… compus uma coisa no lugar. Um presente de aniversário.”
Ele olhou para Ella e os olhos dele brilhavam de tanta alegria. “Eu tenho a sua permissão?”
Ela olhou para ele com os olhos apertados. “É bom que essa sua surpresa não seja horrível.”
“Eu juro que só usei o seu nome inteiro apenas uma vez.”
“Isso é pura traição!” Alaric gritou no meio das risadas. Ele levantou a sua taça para o alto.
A banda, entrando na brincadeira, começou a tocar uma música animada e alegre. Conric fez uma reverência profunda, com o pergaminho na mão, e começou:
“Venham todos se juntar, venham logo escutar,
“Pois agora é a hora de cantar e festejar,
“Da valente Moriella, com vinte anos de idade,
“Com asas abertas e o coração cheio de verdade!
“Com penas tão claras quanto a luz da manhã,
“Ela voa no céu como uma verdadeira campeã,
“Uma Lady escondida em roupas de plebeia,
“Que arranca ervas daninhas com uma grande ideia.”
Ele piscou para Ella, cujos olhos se estreitaram em tom de brincadeira com a menção de suas aventuras “arrancando mato”. Mas antes que ela pudesse falar alguma coisa, Conric começou a cantar o refrão, e a voz dele ressoou acima das risadas:
“Levantem os copos e bebam sem parar,
“Pelas asas de Ella, tão prontas para voar,
“Ela é muito forte e valente de verdade,
“Bebe mais que as Fae e arranca mato na cidade!”
O salão explodiu em gargalhadas, com as canecas batendo nas mesas e alguém gritando “Mais uma vez!” antes mesmo de a música terminar.
Ella escondeu o rosto nas mãos, e quando olhou para cima, as suas bochechas estavam vermelhas, mas os seus olhos brilhavam.
“Você realmente escreveu uma canção eterna sobre as minhas histórias arrancando mato?”
“A rima ficou muito boa,” Conric respondeu sem um pingo de vergonha na cara.
O Rei Mazale chegou perto de Alaric para sussurrar. “Se a magia dele não mostrar que o destino dele é ser um músico famoso, eu mesmo vou contratar os serviços dele para animar as festas.”
As risadas continuaram a preencher o salão, calorosas e cheias de vida. Ella sabia de uma coisa. Aquela noite seria lembrada para sempre.

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