
Quando Maeve Conheceu Caleb
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Capítulo 1
MAEVE
Estaciono o carro em um dos estacionamentos do campus. Tiro um momento para pensar no semestre que vai começar. Faltam só mais quatro matérias para eu me formar em administração.
Durante as férias de inverno, trabalhei na criação da minha nova linha de joias com pedras preciosas e coloridas. Já tenho uma loja online com clientes muito fiéis.
Uso materiais banhados a ouro branco ou couro porque sou alérgica a prata de lei. Tenho muito orgulho de fazer joias que não causam alergias.
Ao sair do carro, tremo quando o vento frio de Vermont sopra por mim. Amarro o cachecol de novo. Isso garante que o vento não passe.
Uma coisa que você deve saber sobre mim é que odeio sentir frio. Não sei por que não escolhi uma faculdade em um lugar mais quente. Sinto muita falta do calor da minha cama no apartamento que divido com meu irmão gêmeo, Liam.
Liam trabalha no Departamento de Pesca e Vida Selvagem como guarda florestal. O curso dele durou um ano a menos que o meu. Por sorte, ele conseguiu um emprego por perto.
Meu celular apita. Olho para a tela e vejo uma mensagem da minha melhor amiga, Penelope.
Maeve, corra para a aula. Guardei um lugar para você!
Estou a caminho.
Envio uma resposta e guardo o celular no bolso. Depois, coloco a mochila nas costas. Saio apressada do estacionamento. Atravesso o pátio do campus para chegar a tempo na minha aula das oito da manhã.
Como aluna do último ano, eu esperava não ter aulas tão cedo. Mas, infelizmente, o Professor Whittaker se recusa a dar aulas depois das onze e meia da manhã.
Entrando às pressas no anfiteatro, não vejo um cara loiro. Eu esbarro bem nele.
“Me desculpa. Você está bem?” pergunto, erguendo o olhar para os olhos mais azuis que já vi na vida.
“Estou bem. E você?” ele me pergunta. Eu concordo com a cabeça, sem conseguir falar.
Ele começa a sair do anfiteatro, e eu deixo escapar: “Já está matando aula?”
“Não estudo aqui. Só vim trazer o laptop do meu irmão.”
A voz grossa dele me faz arrepiar. Para a minha surpresa, eu coro. Concordo com a cabeça como uma idiota. Corro para onde Penelope guardou nossos lugares no fundo da sala.
“Tudo bem com você?” ela pergunta, olhando nos meus olhos.
“Uma maravilha”, minto. Pego meu caderno para fazer anotações. Pode me chamar de antiquada. Mas acho que o conteúdo fixa melhor na minha cabeça quando escrevo à mão.
“Mentirosa”, ela sussurra quando o professor entra na sala.
“Te conto depois”, prometo. Tento me concentrar no que o professor tem a dizer.
UMA HORA E MEIA DEPOIS
“Maeve, não acredito que já temos um trabalho para entregar daqui a duas semanas”, Penelope resmunga, guardando o computador.
Eu rio e digo: “O que você esperava? Faltam dezesseis semanas para a nossa formatura. Você olhou o plano de ensino?”
Saímos do anfiteatro. Vejo o mesmo cara com quem esbarrei encostado em uma parede. Sinto um arrepio descer pelas costas quando nossos olhares se encontram.
Ele pisca para mim e se afasta da parede. Acho que ele está vindo na minha direção. Mas outro cara, com o mesmo cabelo loiro platinado, entra no caminho dele.
“Aí, Caleb. Por que você ainda está aqui? Achei que tivesse uma reunião.” Reconheço o cara como Owen. Ele e eu tivemos muitas aulas juntos durante nossos quatro anos aqui.
“Maeve, vamos.” Penelope puxa o meu braço. Eu a sigo até o centro estudantil. Lá, pego uma xícara de café com espaço para creme e açúcar.
“Qual é a sua próxima aula?” ela me pergunta quando nos acomodamos em dois sofás.
“Contabilidade 300. Preciso dessa matéria para poder cuidar das finanças da Moonlight Jewelry. É a única outra que tenho hoje. Amanhã tenho a minha aula do projeto de conclusão e mais uma de gestão.
“Às sextas não tenho aula. Vou usar esse dia para fazer as lições. Assim, posso focar na criação das joias durante o fim de semana.”
“Falando em joias... minha mãe amou o conjunto de brincos e colar que dei para ela no Natal. Ela ficou tão impressionada que quer dar uma festa para você vender para as amigas dela”, Penelope me diz, e eu fico de boca aberta.
“Sério?”
“Sim. Ela usou em uma festa na véspera de Ano Novo, e todas as amigas queriam saber onde ela tinha comprado.”
“Eu adoraria fazer uma festa em uma tarde de sábado ou domingo. Diga a ela para me ligar, e nós podemos organizar tudo.
“Também faço encomendas personalizadas. Vou levar meus materiais e o pessoal pode ver as opções”, digo a ela, tentando conter a minha empolgação.
Meus pais não têm apoiado muito o meu negócio. Então, talvez essa festa seja exatamente o que eu preciso para mostrar que posso ter sucesso.
Vou precisar comprar o dobro de materiais. Preciso fazer várias unidades de cada modelo que tenho.
“Vou avisá-la. Como está o Liam?” Penelope pergunta, e eu dou um sorriso.
Ela tem uma queda enorme pelo meu irmão desde o primeiro ano da faculdade. Nós nos parecemos muito, com nossos cabelos ruivos e olhos verdes. Mas ele é bem mais alto que o meu um metro e cinquenta e sete.
“Bem. Ele viajou durante a semana para fazer uma tocaia. Ele disse algo sobre tentar pegar caçadores fora de temporada”, respondo, tomando um gole do meu café. Graças a Deus pelo café, ou eu não conseguiria funcionar.
“É perigoso?” ela pergunta. Os olhos cor de mel dela demonstram preocupação.
“Não. Ele disse que era rotina”, falo, tentando ajudar a aliviar as preocupações dela.
“Que bom. Ah, tenho que correr para a minha próxima aula. Que inveja que você só tem que fazer quatro neste semestre. Eu tenho seis”, ela reclama, e eu rio.
“Eu fiz dois semestres de dezoito créditos no primeiro ano. Agora estou colhendo os frutos”, me gabo. Penelope me lança um olhar feio.
“Até quarta”, ela se despede de mim, e eu fico sozinha.
Aproveito esse tempo para pegar meu livro didático. Preciso resumir os três primeiros capítulos. Depois disso, posso começar o meu trabalho. Tenho mais uma hora até a aula começar.
Fico confortável e coloco os meus fones de ouvido. Coloco a minha rádio country favorita para tocar alto no celular.











































