
O Melhor Amigo do Meu Irmão
Autor
Tania Shava
Leituras
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Capítulos
20
CAPÍTULO 1
Amelia estava sentada em silêncio no seu jantar de despedida, cercada pelo barulho familiar dos seus pais e amigos próximos. Risadas ecoavam ao redor da mesa, mas o som parecia distante, como se ela já tivesse ido embora. Pratos tilintavam, copos eram reabastecidos e todos continuavam olhando para ela com aquele olhar que as pessoas dão quando sabem que algo está acabando.
“Você vai ficar com o seu irmão”, a mãe dela disse pela terceira vez naquela noite, com a voz embargada pela emoção. “Eu vou sentir saudade dos meus bebês. Diga para ele cuidar de você, querida.”
“Eu direi, mãe”, Amelia respondeu baixinho, forçando um sorriso.
O irmão dela, James, sempre foi o filho de ouro: responsável, confiável e bem-sucedido. Amelia, do seu próprio jeito, tinha seguido os mesmos passos de perto. Ela sempre tirou notas altas, nunca se meteu em confusão e agora estava indo para a faculdade, um futuro se desdobrando muito mais rápido do que ela se sentia pronta para enfrentar.
As suas malas já estavam prontas perto da porta. Um por um, os seus amigos a abraçaram para se despedir antes de irem embora, até que ela percebeu que era a única que restava. O silêncio que se seguiu pareceu mais pesado do que as despedidas.
Ela estava triste porque os seus amigos não iriam com ela, mas, ao mesmo tempo, sentiu um alívio inesperado. Eles sempre a provocavam sobre James, sempre faziam comentários que passavam dos limites. Ouvir as pessoas falarem do próprio irmão daquele jeito sempre a deixava incomodada, e ela estava feliz por não ter que ouvir isso nunca mais.
A viagem de carro até o aeroporto passou como um borrão. Quando chegou a hora de embarcar, ela abraçou os seus pais bem forte, segurando-os por um segundo a mais do que o necessário. Então, ela se foi.
Quando o avião pousou em Woodlands, a exaustão já tinha se instalado nos seus ossos. Ela pegou as suas malas e examinou o terminal cheio de gente. Então, ela o viu.
James estava perto da saída, com as mãos nos bolsos da jaqueta, sorrindo como sempre fazia: um sorriso fácil e familiar. Assim que a viu, o seu sorriso aumentou.
“Pebbles”, ele disse com carinho, puxando-a para um longo abraço antes que ela pudesse dizer qualquer coisa. “Você cresceu.”
Esse apelido a acompanhava desde a infância, desde que ela havia escorregado e ralado os joelhos em um caminho de cascalho. Não importava o quanto ela crescesse, ele nunca parava de usar o apelido.
“Você também, James”, ela disse, rindo baixinho.
Ele pegou as malas dela sem fazer perguntas e a levou até a sua caminhonete. Ela subiu no banco do passageiro, observando enquanto ele colocava tudo na parte de trás. Quando ele finalmente entrou e ligou o motor, o carro rugiu, vibrando debaixo deles.
“Você está animada para começar a vida aqui?”, ele perguntou enquanto eles entravam na estrada.
“Que escolha eu tinha?”, Amelia respondeu. “Você conhece a mãe e o pai. Eles nunca me deixariam ir para um lugar onde eu não conhecesse ninguém, então basicamente me entregaram para você.”
James deu uma risada. “Isso é uma coisa tão ruim assim?”
“Bem, quando os garotos...”
“Não vai ter garotos”, ele interrompeu com firmeza.
Ela revirou os olhos. “James, eu já tenho idade para ter um namorado.”
“Amelia...”
“Então é bom que eu não veja nenhuma garota lá em casa também.”
“De jeito nenhum”, ele disse. “Eu dou festas. Meus amigos vêm me visitar.”
“Então eu posso fazer o mesmo!”
“Minha casa, minhas regras.”
Ela cruzou os braços. “Não. Nossa casa, nossas regras — agora.”
Ele deu um sorriso de lado. “Nós vamos ver.”
Depois de quarenta e cinco minutos na estrada, eles finalmente chegaram. Amelia bocejou quando saiu da caminhonete; já estava escuro, e o ar estava frio e calmo.
“Vá desfazer as malas”, James disse. “Eu vou preparar o jantar.”
“Obrigada, James.”
O quarto dela era simples, mas aconchegante. Ela desfez as malas devagar, arrumando as suas coisas só o suficiente para se sentir instalada antes que a fome finalmente a fizesse voltar para o corredor. O cheiro que vinha da cozinha fez o seu estômago roncar.
“Macarrão com queijo”, James disse enquanto arrumava a mesa. “Simples, mas prático.”
“Eu comeria até comida de cachorro a essa altura”, ela brincou. “Esse é o tamanho da minha fome.”
Ela devorou o primeiro prato e logo pediu mais um pouco. Quando ela se ofereceu para lavar a louça, James a dispensou.
“Você está com uma cara péssima. Vá descansar.”
“Nossa, obrigada”, ela riu. “Mas falando sério — obrigada pelo jantar. Por tudo.”
“De nada, Pebbles.”
Ela o abraçou mais uma vez. “Boa noite, James.”
“Boa noite.” Ele beijou o topo da cabeça dela, exatamente como sempre fazia.
Depois de um banho, Amelia desabou na cama, com o sono dominando-a quase instantaneamente.
Algum tempo depois, ela acordou com algo quente e pesado encostado nela. Ela gritou.
James entrou correndo e acendeu a luz. “O que foi?” Ele gemeu ao ver a situação. “Caramba, Mason. Este não é o seu quarto — e você está bêbado de novo.” Ele puxou o homem grogue para cima.
“Quem é ele?”, Amelia perguntou, com o coração ainda acelerado.
“Eu os apresento amanhã de manhã”, James disse, arrastando Mason para fora do quarto.
A luz se apagou. A porta se fechou.
Amelia ficou acordada por um momento, olhando para o teto, perguntando-se se a vida ali seria daquele jeito. Depois de um tempo, o sono a encontrou de novo.
***
Amelia acordou na manhã seguinte com vontade de conhecer o lugar onde iria morar. Ela foi pegar um copo de água na cozinha; o seu irmão provavelmente ainda estava dormindo.
Ela foi até o quarto dele para avisar que estava saindo e bateu de leve na porta. “James?”
“Oi”, ele respondeu com voz de sono.
Ela abriu a porta e espiou para dentro. “Eu estou saindo para ver a região.”
“Tudo bem. Tome cuidado e me avise se acontecer alguma coisa. Você precisa de dinheiro?”
“Não, eu tenho dinheiro suficiente.”
“Quer que eu leve você?”
“Não, James. Eu prefiro andar para poder me localizar.”
“Tome cuidado, Pebbles.” Com isso, ele virou de lado e voltou a dormir.
“Obrigada, James.”
Amelia pegou a sua bolsa e saiu para conhecer Woodlands. Ela tinha o GPS no celular para se guiar e chegaria onde precisasse ir.
Seu primeiro destino era a biblioteca; ela precisaria de livros caso fizesse pesquisas para a faculdade. Ela andou pelas ruas procurando o ponto de ônibus. O que deveria ser uma caminhada de dez minutos acabou virando meia hora.
Ela se perdeu várias vezes, pois era difícil para ela entender onde era o norte e o sul. Finalmente chegou ao ponto de ônibus, e quando o ônibus veio, ela tentou entrar, mas o motorista a impediu.
“Você precisa passar um cartão para poder entrar.”
“Ah, eu não sab—”
“Passa para dois.” Um cara passou por ela.
“Obrigada”, ela falou em voz alta para ele.
Ela foi se sentar. Quando a sua parada chegou, apertou o botão e o ônibus parou. Ela desceu e suspirou.
Ela viu o prédio da biblioteca do outro lado da rua. Respirou fundo e a atravessou. Uma vez lá dentro, foi até o balcão, fez o cadastro para um cartão da biblioteca e foi examinar alguns livros.
Ela encontrou alguns livros interessantes que poderia ler. Quando terminou de pegá-los emprestados, foi se sentar para ler, pois o lugar tinha uma vista muito bonita.
O estômago de Amelia roncou, e ela olhou para o relógio. Ela tinha perdido a noção do tempo. Ela foi fazer o empréstimo dos livros que tinha escolhido.
Já eram onze da manhã. Como ela não tinha tomado café da manhã, poderia muito bem procurar lugares para comer.
Ela foi a uma lanchonete que viu ali perto, entrou e pediu um sanduíche e uma bebida. Quando a sua comida chegou, ela estava faminta e deu mordidas enormes. Quando terminou, sentiu-se cheia e com mais energia.
Quando saiu, o sol estava escaldante. Ela queria tirar um cochilo depois de comer tanta comida — ela sentia-se sonolenta.
Ela precisava explorar mais áreas para se sentir produtiva, então iria visitar um parque não muito longe dali.
Quando chegou ao parque, encontrou uma fonte de água. Ela foi até o vendedor de sorvete e comprou um picolé de laranja para si.
Ela se sentou, pegou os seus fones de ouvido e começou a ouvir música. Recebeu uma mensagem do seu irmão perguntando se ela estava bem, e respondeu que estava perfeitamente bem.
Quando deram quatro da tarde, ela decidiu voltar. Foi ao guichê do ônibus, comprou um cartão e o carregou com dinheiro para que pudesse voltar para casa.
Quando chegou à rodoviária, chegou a tempo de pegar o ônibus das cinco da tarde. Ela entrou, e o veículo a deixou a dez minutos da sua casa.
Ela caminhou para casa sentindo-se exausta. Quando finalmente chegou, entrou pela cozinha, arrastando os pés, e ouviu James.
“James, você não vai acreditar no dia que eu—”
Amelia parou de andar na mesma hora quando percebeu que não era James, mas sim Mason, com uma garota vestindo apenas uma camiseta. Eles obviamente tinham acabado de transar.
Ela congelou no lugar ao ver que eles estavam olhando para ela, virou-se rapidamente e correu para o seu quarto.
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