
Uma Receita para o Amor
Author
Evelyn Miller
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Chapters
29
Capítulo 1
DAHLIA
Nunca pensei que ficaria tão obcecada pelos braços de um estranho. Mas, meu Deus, esses braços me têm totalmente sob controle.
Tem um chef no centro da cidade que posta vídeos cozinhando. Os vídeos mostram apenas o que ele está preparando e os braços dele, com a dólmã arregaçada até os cotovelos. Eles dão água na boca.
Perfeitamente bronzeados, com os músculos e tendões se movendo a cada movimento da faca, toda vez que ele coloca algo nos pratos que parecem lindos. Superfaturados, mas lindos.
“Aqueles braços poderiam consertar toda a minha vida, para falar a verdade”, minha irmã mais velha, Audrey, suspira enquanto assistimos ao último vídeo do Dolce Vita.
O Dolce Vita é um restaurante italiano que abriu há apenas um ano. A comida parece deliciosa, mas é extremamente cara, e é por isso que nunca fomos lá.
“Digo o mesmo”, concordo, com nossas cabeças batendo enquanto tentamos nos aproximar da tela do meu celular.
“Aposto que aqueles dedos fariam milagres.” Ela diz isso com tanta naturalidade que levanto a cabeça rapidamente para ela, e depois para seu marido, Calvin, que está sentado à mesa de jantar, brincando com seus Legos, parecendo não se importar com os comentários dela. Ou isso, ou ele não a ouviu.
“Que porra é essa, Audrey?” eu sussurro, irritada. Ela simplesmente dá de ombros e acaricia a barriga que está crescendo. “São os hormônios da gravidez.” Ela culpa o meu pobre e inocente sobrinho que ainda nem nasceu.
“Ela tem dito os maiores absurdos ultimamente”, Calvin se intromete, tirando os olhos dos blocos coloridos nas mãos. “Nunca a vi falar assim antes”, acrescenta, antes de voltar à sua construção.
“Pronto, chega. Nós vamos ao Dolce Vita agora mesmo.” Audrey se levanta devagar e estende a mão para mim. “Vamos, tartaruga. Nós vamos agora!” ela exige, balançando a mão na minha cara. “O bebê está exigindo aquela massa agora mesmo, e se eu não conseguir, eu vou chorar, gritar e fazer birra até conseguir.”
A culpa toma conta de mim. Eu não adoraria nada mais do que comer uma massa superfaturada com a minha irmã, mas não tenho a menor condição de pagar.
“Queria poder.” Eu suspiro, pensando em como as coisas ficaram apertadas no último mês. Sou dona de uma pequena padaria e cafeteria que estava indo muito bem, mas agora minha renda caiu praticamente pela metade.
“As coisas estão muito difíceis no momento, sabe, com a inauguração do Starbucks aqui tão perto”, explico, triste.
Não espero pena da minha irmã, mas também não espero que ela revire os olhos para o meu azar.
“É por minha conta.” Ela faz um gesto com a mão como se não fosse nada demais.
Eu hesito, e ela suspira quando não me movo.
“Vou chorar e gritar com você ao mesmo tempo. Eu precisava dessa massa há cinco minutos. Eu disse que eu pago. Agora levanta a bunda daí, Dahlia Noakes”, ela ordena, com sua voz de quem não está para brincadeira.
Sentindo que estou encrencada, dou um pulo, pronta para fazer o que ela mandar na mesma hora.
“Boa sorte!” Calvin dá uma risadinha enquanto eu calço os sapatos.
“Ah, você vai também”, Audrey diz a ele, fazendo-o largar os Legos imediatamente e ficar de pé num salto.
“Claro, meu amor.” Ele dá um sorriso largo para ela antes de me lançar um olhar assustado. “Parece que estamos nessa juntos”, ele sussurra ao passar por mim.
“Acho que a gente sobrevive, então”, sussurro de volta.
***
Assim que entramos no Dolce Vita, meu nariz é atingido na hora pelos cheiros mais deliciosos e apetitosos, que fazem meu estômago roncar. Uma garota novinha, que não deve ter muito mais de dezesseis anos, leva nós três até uma mesa.
Mal me sento e Audrey já vai pedindo “a massa do vídeo de hoje de manhã para cada um de nós”.
“E se eu quiser outra coisa?” pergunto enquanto a garota se afasta às pressas.
“Azar o seu. Não tenho tempo para esperar vocês dois olharem o cardápio e decidirem”, ela decreta, como se fosse um fato.
O meu lado de irmã mais nova quer provocá-la um pouco mais, mas já que ela está pagando o meu almoço...
“Imagina só, o Sr. Braços Gostosos está fazendo a nossa massa agora mesmo”, Audrey diz, começando a se abanar com a mão.
“Sabe que eu estou bem aqui, né.” Calvin flexiona os braços, me fazendo soltar uma risada pelo nariz. Ele é surpreendentemente musculoso, mas não é nada comparado ao chef.
Olho ao redor do restaurante. A decoração é simples, mas eficiente. A maioria das paredes é de tijolinhos amarelados com detalhes em branco, e um quadro grande de um casal de idosos abraçados está perfeitamente pendurado no meio da parede.
Fico surpresa com a rapidez com que conseguimos mesa. Mas então percebo que o lugar não está nem de longe tão cheio quanto eu imaginava. Talvez a gente tenha dado sorte de chegar na hora certa.
Felizmente, não precisamos esperar muito para as nossas massas chegarem. Não consigo segurar o pequeno gemido que escapa dos meus lábios. O tempero está perfeito, o molho não é nem enjoativo nem sem graça, e o manjericão equilibra o tomate com perfeição. Cada mordida é uma maravilha.
“Ai, meu Deus.” Audrey geme alto, recebendo um olhar feio da mesa mais próxima. “Isso é sério a melhor coisa que eu já coloquei na boca”, ela acrescenta.
“De novo, eu estou bem aqui.” Calvin dá um sorriso malicioso, e eu finjo engulhos, fazendo os dois rirem. Eu amo os dois, mas eles são nojentos pra caralho.
“Não sejam nojentos”, digo a eles antes de voltar para a minha massa deliciosa.
Nós três comemos em silêncio, ocupados demais enchendo a cara de comida para conversar.
Realmente chegamos na hora certa, porque, enquanto comemos, o lugar inteiro lota. Todas as mesas são ocupadas. Quando terminamos de comer, Audrey parece extremamente satisfeita ao recostar na cadeira e alisar a barriga. “O garotão está oficialmente satisfeito.”
“Estava tudo bem?” A jovem garçonete surge de repente e começa a recolher nossos pratos vazios. Abro a boca para responder, mas, antes que eu consiga dizer qualquer coisa, Audrey cai no choro. Digo, soluçando de verdade.
“Ah, hum”, a coitada da garota gagueja antes de sair correndo.
“O que foi?” Calvin pergunta, esfregando o ombro dela. Audrey abre a boca para falar alguma coisa, mas nada sai.
Pelo canto do olho, vejo um homem extremamente bonito de dólmã branca caminhando até a nossa mesa, com a garçonete assustada logo atrás. Conforme ele se aproxima, vejo sua expressão de desagrado profundo.
E os braços dele. Puta merda! É o Sr. Braços Gostosos!
Endireito a postura e limpo a boca depressa, querendo parecer apresentável.
“Está tudo bem por aqui?” A voz dele é grossa, com um leve sotaque. Meus olhos ficam grudados nos braços dele. Pessoalmente, eles são ainda melhores, de dar água na boca. Na verdade, se Audrey não estivesse chorando agora, tenho certeza de que estaria literalmente babando.
“Estava perfeito”, Audrey funga, secando os olhos.
Os ombros do Sr. Braços Gostosos relaxam visivelmente, mas noto que ele franze mais a testa. “Você me chamou aqui porque a minha comida é boa?” ele retruca, me fazendo fechar a cara. “Eu sei que a minha comida é boa. Você está sendo dramática.”
“Nossa”, falo arrastado, fazendo os lindos e grandes olhos castanhos dele se voltarem para mim. “Talvez, em vez de insultar uma cliente grávida, você devesse dizer obrigado. Nem acredito que esse restaurante ainda está aberto com um atendimento desses.”
“E o que você sabe sobre a arte de preparar uma comida linda e deliciosa para alguém?” ele rebate, me medindo de cima a baixo com um olhar de julgamento.
“Na verdade, eu sou dona de uma padaria.” Esse cara é um babaca!
“Ela faz o melhor cannoli”, Audrey se mete. “Ah, e a baklava dela é de comer rezando”, acrescenta.
“Nossa, a baklava dela é simplesmente—” Ele junta os dedos e beija como um chef.
O rosto do chef suaviza e ele ergue as sobrancelhas, parecendo surpreso.
“Fica na Rua Seis”, Audrey diz a ele, dando um sorrisinho.
Por mais que eu queira mandar ela calar a boca, eu realmente não quero que ela volte a chorar.
“É uma pena que o Starbucks tenha aberto tão perto, e agora o movimento caiu tanto”, Calvin suspira triste, me fazendo arregalar os olhos.
Ele falou isso sério, bem agora? Dou um tapa no ombro dele com as costas da mão. “Cala a boca”, sussurro, apertando os olhos para ele.
“Você devia passar lá um dia desses, dar umas dicas para ela não ir à falência”, Audrey sugere.
Mas que porra está acontecendo aqui?
“Eu não preciso da ajuda dele ou de ninguém”, recuso, mesmo mal conseguindo manter a padaria aberta. Estou determinada a ter sucesso por conta própria. Tenho algo a provar.
Volto os olhos para o chef, que está com o olhar cravado em mim. Eu me contorço na cadeira sob os olhos dele.
“O ramo de restaurantes é muito difícil. Não é para qualquer um”, ele diz.
Fico de pé e quase grito: “Para alguém que tem braços tão gostosos, é uma pena que eles estejam ligados a um pau no cu”, disparo, antes de apertar os lábios. Por que caralhos eu acabei de falar dos braços dele?
Ele olha para os próprios braços, depois para mim, mas não diz mais nada. Apenas dá meia-volta e vai embora, largando para trás a garçonete nova e agora muito confusa.
“Alguém quer mais pão?” ela pergunta com a voz fininha.
















































